Amigos realizam sonho de infância e viajam pelo país com barbearia montada em Kombi

Os barbeiros Roger Reggiani e Felipe Sobral saíram de Campo Grande (MS) em 27 de dezembro de 2017. Eles chegaram em Guarapuava, na região central do Paraná, após as festas de Ano Novo.

Por Ademir Zilio 08/01/2018 - 09:36 hs

 

Os amigos barbeiros Roger Reggiani, de 23 anos, e Felipe Sobral, de 22 anos, que moram em Campo Grande (MS), colocaram em prática no fim do ano passado um sonho de infância: viajar pelo Brasil custeando o projeto com o dinheiro ganho na estrada.

A maneira que eles encontraram foi cortando cabelos e barbas em uma espécie de barbearia móvel montada em uma Kombi. Eles saíram do estado vizinho no dia 27 de dezembro de 2017 com destino a Dracena (SP) para passar a virada de ano na casa de familiares.

De lá, rumaram para Guarapuava, na região central do Paraná, onde estão, após passarem por Apucarana, no norte do estado. Como o veículo é de 1974, exige mais cuidados. As paradas quando estão na estrada ocorrem em, no máximo, a cada 150 quilômetros.

 

"É necessário ter mais de calma com ela. Mas já estamos na estrada, que era o que queríamos. Agora, vamos tranquilos, não temos pressa", explica Reggiani.

 

As marcas dos 43 anos de uso foram mantidas propositalmente na lataria. Internamente, a Kombi foi totalmente transformada para dar conforto e segurança aos aventureiros.

Apelidado de "Cheech and Chong do Cerrado", em alusão à dupla humorística norte-americana que fez sucesso nos 1970 e 1980 com filmes de temática hippie, e ao local de onde vieram, o veículo já consumiu dinheiro suficiente para adquirir um carro popular novo.

 

"Comprei a Kombi quando comecei a trabalhar. Estava só o pó, com documentação atrasada. Foram dois anos mexendo intensamente com o meu pai. Gastava 80% do meu dinheiro nela", conta.

 

Roger Reggiani mostra como a Kombi foi modificada internamente para a viagem.

Roger Reggiani mostra como a Kombi foi modificada internamente para a viagem.

A viagem

Os amigos trabalham como barbeiros há cerca de três anos. Eles são funcionários de uma barbearia no Mato Grosso do Sul, que é de um irmão de Roger.

"A gente ia largar tudo pra ir. Mas meu irmão sugeriu que a gente usasse essa viagem como teste para outras e levássemos o nome da barbearia", diz.

A ideia deles é sair de Guarapuava, passar por Curitiba por alguns dias, e descer a serra para chegar à Ilha do Mel. Depois, ir pelo litoral até o Uruguai, passando pelos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A estimativa é que fiquem na estrada por dois meses, mas não há uma data definida. "A gente nunca sabe o que vai encontrar. Isso é o que nos motiva a querer continuar. A ideia é curtir a viagem e cortar cabelo também para bancar", afirma Reggiani.

Os cortes custam R$ 20, mas os valores são negociáveis, segundo Roger. Em cada cidade, os amigos tentam ganhar com o trabalho o dinheiro suficiente para se manterem no local e abastecer para seguir viagem.

 

"Não queremos ficar ricos. A gente faz esse trabalho por amor. Tem sido legal demais conhecer pessoas novas. Muita gente se identifica e alguns pagam até mais para ajudar na viagem. É muito importante esse reconhecimento", destaca.

 

De Guarapuava em diante, eles não têm mais lugares certos para ficar. O que não é exatamente um problema. "Fazemos contatos por grupos de mochileiros, por exemplo. As pessoas estão dispostas a ajudar. Não imaginava que seríamos tão acolhidos assim", conta.

De acordo com Reggiani, engana-se quem pensa que eles têm condição financeira privilegiada. "Os pais deram maior apoio. Passei vários finais de semana com meu pai trabalhando na Kombi. Foi tudo no suor mesmo."

O balanço das primeiras semanas na estrada é tido por eles como positivo, o que os leva a pensar nas próximas aventuras. "Talvez a gente vá para a parte de cima do Brasil. Depois, também queremos fazer a América do Sul inteira se tudo der certo", projeta.

Por Ederson Hising, G1 PR, Curitiba