Janaúba para em homenagem a vítimas de incêndio; número de mortos chega a 9

Enfileirados, veículos acompanharam os carros da funerária que transportaram, ao longo do dia, os corpos carbonizados pelas ruas da cidade.

Por Ademir Zilio 07/10/2017 - 09:31 hs

Com as ruas tomadas por cortejos, Janaúba, no norte de Minas Gerais, se tornou uma cidade marcada pelo luto. Na tarde desta sexta-feira (6), enquanto a população velava e enterrava os mortos do incêndio causado pelo vigia Damião Soares dos Santos na creche Gente Inocente, o Corpo de Bombeiros confirmava mais duas vítimas. No total, sete crianças, uma professora e o autor do crime morreram. Outras 33 pessoas ficaram feridas - 13 estão internadas em estado gravíssimo.

Enfileirados, veículos acompanharam os carros da funerária que transportaram, ao longo do dia, os corpos carbonizados pelas ruas da cidade. Sob sol forte, moradores na calçada acenavam para o cortejo que seguia até o cemitério. Comerciantes, de luto, fecharam as portas.

"Não tive coragem de abrir o estabelecimento", contou Alexandre Azevedo, proprietário de uma loja de pneus. "Clientes chegavam com o rosto inchado de chorar, ninguém aguenta."

Em todo o município, o clima é de pesar e comoção diante da maior tragédia da história da cidadezinha de 72 mil habitantes.

Ao longo do dia, a população se mobilizou para confortar parentes de vítimas e rezar pelos internados. Moradores do município e de cidades vizinhas se organizaram pelas redes sociais para recolher doações.

Por causa da tragédia, o Ministério Público de Minas abriu uma conta bancária para receber doações em dinheiro, que servirá de auxílio material às famílias das vítimas. Até o início da tarde desta sexta, o montante chegava a R$ 177 mil.

Damião Soares dos Santos, responsável pelo ataque às crianças, sofria de transtorno persecutório, segundo a Polícia Civil. O Ministério Público (MP) de Minas vai apurar por que um funcionário com problemas mentais trabalhava na educação infantil.

"Ele começou a demonstrar transtornos em 2014, quando foi ao MP denunciar que a mãe estava envenenando a comida dele, mas era mentira", diz Renato Henriques, chefe do Departamento da Polícia Civil de Montes Claros. Na época, Santos também disse que a mãe havia assassinado o pai com veneno. No dia do ataque, se completaram três anos da morte do pai do vigia.

Não foi achado até agora, diz a polícia, registro de consulta médica ou receita que comprove uso de remédio. Ao longo da semana, parentes do vigia relataram que ele repetiu que daria um presente à família e que morreria. Para vizinhos da creche, ele parecia normal. "Não mostrava isso para a sociedade."

 

ATUALIZANDO

 

Mais uma das crianças vítima do ataque a creche em Janaúba, no Norte de Minas, morreu neste sábado (7) no Hospital João XXIII em Belo Horizonte, de acordo com a assessoria da unidade.

Com este óbito confirmado, sobe para 10 o número mortos no ataque: são oito crianças , uma professora e o autor do atentado.

Segundo o hospital, a criança que morreu foi a menina de quatro anos que havia sido transferida de Montes Claros, no Norte do estado, para Belo Horizonte, nesta madrugada. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima é Talita Vitória Bispo. Até as 13h30, o hospital não havia confirmado o nome.

Doze crianças e duas mulheres seguem internadas em hospitais da capital mineira: no João XXIII há duas mulheres e nove crianças em estado grave; no Odilon Behrens são três crianças. Boletins médicos devem ser divulgados nesta tarde.